Tuesday, January 10, 2006

Bath tub


(...) Onde quer que tocasse, tudo era morno, receptivo, macio. Não conseguia sentir cheiros por ter o nariz também submerso na água morna, mas sabores e cheiros confundem-se. Cheirava-lhe ao que lhe sabia e sabia bem, a água. As pernas adormeciam-lhe, por vezes. Provavelmente esticava-se muito, pois aquele invólucro que lhe tomava o corpo já se moldava demasiado às suas formas. Adoptou posição mais cómoda, esticando um dos braços para cima, poisando um dos tornozelos de encontro ao joelho da outra perna, inclinou para trás a cabeça, meteu na boca um polegar contra o palato, gostou da sucção a que obrigara a boca. As movimentações na água aumentavam, os sons de longe fizeram-se mais ácidos, sentia o frémito, as vibrações que o líquido tão bem conduz aos ouvidos, um tump tump, como pancadinhas que um vizinho desse no tecto, logo abaixo do espaço onde se reclinava o seu corpo maleável. Deixou-se ficar, adormeceu. (...)

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