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Esta noite o sono distraíu-se a me pregar partidas. Insistiu, teimoso, em me manter os olhos despertos, reteve-me pregada à sombra disforme na parede. Senti-me o peito apertar-se, pequenino, o quarto fechar-se em mim a cada nova e sôfrega respiração, a lingua embargou-se-me na boca, os olhos habitados pelo orvalho da manhã. Devagar a luz do dia penetrou, sorrateira, pelas frestas da janela. A mão entreaberta com os dedos abandonados, à espera que os enlaçassem. Fechei os olhos e desejei que uma voz chegasse, de mansinho, e repetisse, sussurrante, ao ouvido, baixinho, num murmúrio só meu, até me fazer acreditar :
Amo-te.
Amo-te.
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