Saturday, October 21, 2006

Folk Romantic Girl on a Folk Romantic Day

Hoje estou folk. Hoje estou romântica. Pede-o este tempo de Outono. Tenho as terminações nervosas à flor da pele. Disparo a qualquer estímulo. Tenho mil e uma ideias e uma nula vontade de as pôr em prática. Ficar no sofá, acender umas velas, ler um livro. Júlio Verne acompanha-me em viagens mágicas e fabulosas, intercalados com uns quantos de poesia ali empilhados a um canto. Também eu não tenho o hábito de ler poesia assim de rajada. Ela exige tempo para ser saboreada e ficar a matutar por dentro. Um cobertor quentinho, um bule de chá ainda a ferver, dois gatos enroscados às minhas pernas. Abrir na página 79 e continuar ...
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Ficávamos no quarto até anoitecer, ao conseguirmos
situar num mesmo poema o coração e a pele quase podíamos
erguer entre eles uma parede e abrir
depois caminho à água.

Quem pelo seu sorriso então se aventurasse achar-se-ia
de súbito em profundas minas, a memória
das suas mais lonquínquas galerias
extrai aquilo de que é feito o coração.

Ficávamos no quarto, onde por vezes
o mar vinha irromper. É sem dúvida em dias de maior
paixão que pelo coração se chega à pele.
Não há então entre eles nenhum desnível.

Luis Miguel Nava

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