Já me vinha a queixar à uns dias que eles nunca mais vinham. Vestidos de negro ou de lençol (mal) esburacado, entoando a lenga-lenga do costume. É como aqueles grupos de miúdos que costumavam sair na noite de Natal para entoar cânticos natalícios às portas das casas. Americanices? Não ... que na terra da minha mãe existe ainda um pequeno grupo de crianças (com os anos tornou-se cada vez mais diminuto) que o fazem. Lá vêm com a caixa das moedinhas disponível a qualquer oferenda monetária, é certo, mas algo se faz hoje em dia que não seja por dinheiro? Ainda há pouco me vi derrubado o pessimismo. Foram 3 ou 4 putos que bateram aqui à porta na habitual cançoneta: " Bolinhos e Bolinhós, para mim e para vóz, para dar aos finados que estão mortos, enterrados" . Alegre por finalmente ver passar os pestinhas apressei-me a ir à carteira e, generosa como só eu, saquei logo de 2 orgulhosos e reluzentes euros, que certamente dariam para muito cromo do Spider Man, ou o que seja que os miúdos vêm hoje em dia na televisão. No meu tempo era o Bambi e os Ursinhos Carinhosos. Mas o meu já lá vai e não volta (nem eu quero). Estupidamente (ou não) os putos viram-se e perguntam se não tenho antes rebuçados e chocolates. O que me deixou com um grande e parvo sorriso na cara.
Aquele Nestlé de amêndoas estava aqui guardadinho para uma ocasião especial. ... Mas dei-o de bom grado.


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