Saturday, October 14, 2006

229 dias


No primeiro dia em que amei fi-lo como homem, e uma máscara cobria-me o rosto.
Lembro-me de teclas de piano, sombras aninhadas em busca do calor do sol, tardes de conversas envergonhadas e mãos cobardes e indecisas, mas de vontades partilhadas. Meia dúzia de vagabundos caminhavam exaustos no meio de gente comum, tentando manter os olhos despertos ao morrer de um dia que havia começado há tanto tempo que lhe perderamos a noção. Lado a lado vimos a luz definhar com sabor a chá de menta. Lembro-me também de um filme japonês sem falas nem legendas, de Kar Wai Wong, se não me engano, do qual o quão estaticamente o fixava não revelava a falta de atenção que lhe devotava, lutando avidamente para resistir ao peso e cansaço do corpo. Tudo o resto girou em câmara lenta, enquanto as horas se sucediam na vertigem de mãos finalmente encontradas.
Desde então perfilam-se os mais felizes dos dias e as mais completas das horas. Sempre de mãos dadas.
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Aujourd'hui , et demain, et aprés demain ...

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